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sexta-feira, 16 de junho de 2017

SOLIDÃO EXISTENCIAL

Walmir Monteiro
 A solidão, no entendimento existencial, é um tema paradoxal. O homem é um ser-no-mundo, mas um ser solitário; vive em permanente relação com o mundo, mas o seu mundo é ele quem faz. O mundo não irá socorrê-lo existencialmente, nem irá determiná-lo em qualquer instância ou aspecto. O mundo dilui-se no âmago do ser, sendo a todo instante reconstruído nas circunstâncias das escolhas, ações e reações do próprio indivíduo.
No romance “Antes Só” o protagonista sai de casa para curar sua solidão e encontra na rua pessoas que ele julga felizes, mas ele continua só. Esse homem amargura-se e mergulha em autocomiseração, sentindo pena de si mesmo, mas não age no sentido de buscar as pessoas, falar com elas, construir vínculos e relações; possivelmente espera que cheguem até ele para tirá-lo da solidão, muito embora nada garanta que o relacionamento com muitas pessoas torne alguém mais feliz e livre dessa solidão ontológica, inseparável da condição humana. 
A representação de felicidade é estar rodeado de muitas pessoas, ter com quem sair..., mas tudo isto está no plano do “fenômeno do ser”, o solitário vê as pessoas e a julga felizes, mas ele não as acompanhou em momentos anteriores, não as conhece em suas realidades particulares e pessoais. E o fato é que quase nunca as pessoas são exatamente o que achamos que são.
Esta análise aponta a realidade dessa solidão imanente. Apesar de ser verdade que jamais nos desprenderemos da nossa solidão, nem por isso devemos nos afundar nela. 
A solidão é nossa companheira, mas não precisa ser a tônica da nossa vida.
A plena vivência de relações, nos permite oportunidades de comunicação e compartilhamento, mas esse compartilhar é formado inclusive de trocas solitárias com quem queremos bem e a quem escolhemos como parceiros existenciais.

Ser-com é isso: ter com quem dividir angústias e prazeres, tristezas e alegrias. 
E assim nossa solidão dilui-se no processo de vinculação e abertura ao outro e ao mundo. Sem defesas excessivas, sem autocomiseração e sem a ilusão de que a vida tenha qualquer obrigação de fazer-nos felizes. A solidão compartilhada não pode ser uma afecção de dor, já que é apenas uma partícula de um sem-número de sentimentos e emoções que vão e vem, nesse percurso existencial.

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