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sábado, 4 de julho de 2020

COMPULSÃO


Compulsão é isto: perda das rédeas da própria vida, a escravidão do hábito. Compulsão não é indisciplina, nem falta de força de vontade, não é descaso consigo mesmo, com os outros ou com a realidade. As diversas formas de compulsão, ligadas a jogo, compras, sexo, drogas, comida, etc são expedientes psicológicos de natureza múltipla, pois também possuem vertentes biológicas e sociais, que provavelmente funcionam como um movimento de aplacamento de uma angústia básica e severa, resultante de uma incompletude no ser. Alguns diriam que todos nós de alguma forma nos sentimos incompletos e angustiados. Mas é diferente. O compulsivo não possui recursos próprios de enfrentamento de suas dores, de sua falta de sentido na vida. As ações compulsivas que repetidamente realiza - apesar dos prejuízos que trazem, dão a ele uma sensação de encontro e sentido, só que bem temporário, como o efeito de uma droga qualquer. Para entender facilmente o que é compulsão, imagine-se controlando um cão bravo de tamanho grande, usando apenas uma coleira comum. Ele vai te arrastar. O comportamento compulsivo é uma reação involuntária que responde a desejos incorporados ao psiquismo de uma pessoa que mesmo consciente dos prejuízos do seu comportamento, se rende a uma força bem maior, que a arrasta como um forte animal desobediente aos comandos e interesses daquele que pretende conduzi-lo. Muitos pacientes compulsivos possuem histórias de vida cheias de complicadores, como rejeições, descasos, inferiorizações, frustrações e uma estrutura psicológica frágil diante do enfrentamento das agruras cotidianas que fazem parte do mundo. Não são todos. E na verdade não temos na literatura um fechamento etiológico neste sentido. Independente de causas, saibamos que o paciente compulsivo precisa de uma rede familiar e fraterna de apoio, pois o seu ego – sozinho – não dá conta de dizer não e nem de trocar a coleira por uma que seja mais eficaz. Precisa de psicólogo, de psiquiatra, de você. Dificilmente veremos um compulsivo grave que não tenha por trás uma família bem comprometida psicologicamente. E muitas vezes ele representa o papel do louco em uma família que tem dificuldade de admitir seus erros. (Walmir Monteiro).

segunda-feira, 25 de maio de 2020


sábado, 9 de maio de 2020

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Livro Transtornos Alimentares - Psicanálise e Fenomenologia Existencial


TRANSTORNOS ALIMENTARES - VISÕES PSICANALÍTICA E EXISTENCIAL AUTORES: ALINNE COPPUS E WALMIR MONTEIRO

domingo, 27 de agosto de 2017

Ser Psicólogo


terça-feira, 4 de julho de 2017

O AGRESSOR PSICOLÓGICO

“A violência psicológica transforma você, na sua mente, em um inútil”.
-Ana Isabel Gutiérrez Salegui-
Eles estão em qualquer ambiente ou lugar. Na vida familiar, nos relacionamentos de casal, nos amigos, na escola, na universidade, no trabalho. Não existe escapatória. Ali estão e não é possível evitar a sua presença. O que podemos fazer é identificá-los a partir de traços característicos. Por isso é importante estar alerta e saber interpretar quais poderiam ser as verdadeiras intenções de uma pessoa. Embora não existam critérios definidos entre psicólogos e pesquisadores do tema, o agressor psicólogo está longe de ser um doente mental. Na maioria dos casos simplesmente prejudica por exercer o poder que tem sobre o outro. Por isso existem características marcantes que o definem.
Estas são cinco delas.
1. A intolerância e o agressor psicológico - O agressor não aceita as diferenças. O seu mundo é o único mundo possível e não valoriza o dos outros. Nos seus relacionamentos com o sexo oposto sempre considera o outro inferior. São casos de machismo ou feminismo levados ao extremo. Aproxima-se somente daqueles que se identificam com ele, assumindo distância dos demais e adotando atitudes de rejeição. Deixa-se levar pelos preconceitos sociais. Por isso é comum vê-lo discriminando e tendo pouca consideração para com quem é diferente.
2. Rigidez - O agressor é narcisista: pensa e age como se fosse dono da verdade. As razões dos outros não lhes interessam. Tende a impor suas ideias sem se importar com o contexto onde se encontra. Na hora de estabelecer acordos, não cede um milímetro porque acha que seus pontos de vista devem ser aceitos. Um agressor psicológico acredita dominar todas as situações e ter sempre razão. Os outros estão sempre enganados e suas ideias discrepantes estão erradas pelo fato de serem discrepantes. É um líder negativo que sempre tem a intenção de aparecer, manipular e ser o centro da atenção.
3. Pensamento dicotômico - Para uma pessoa com esta configuração psicológica dualista, só existe o branco e o preto. Não admite nuances de nenhum tipo. O fato anterior a impede de perdoar, de considerar as circunstâncias de alguém que tenha se enganado ou, simplesmente, que seja incapaz de reconhecer seus próprios erros. Para este agressor cai como luva a frase “a distância entre o amor e o ódio é só um passo”. Assim concebe a vida: como dois extremos que, quando se tocam, provocam choques terríveis. Para ele as coisas são boas ou ruins; existe a verdade ou a mentira; ganha ou se perde. Reage de acordo aos princípios com os quais compreende a vida.
4. Hipersensibilidade - É o tipo de pessoa que tem dificuldade para lidar com suas emoções. Quando fracassa, custa a recomeçar. Se triunfa, então acha que alcançou o céu com as mãos. Todo extremo é enganoso, diz a sabedoria popular. Mas o agressor psicológico vê com bons olhos o extremismo. Não faz autocrítica real e se julga de forma superficial. Costuma se deprimir com facilidade e frequentemente cai em profundos abismos dos quais ninguém tem capacidade de resgatá-lo. O fato anterior é fruto da sua baixa autoestima. Isto faz com que se mantenha em permanente estado de ansiedade e tenha a tendência de se colocar como vítima.

5. Encanto - Enquanto ganham a confiança da sua vítima, se comportam como as melhores pessoas do mundo. É complicado para as pessoas que estão ao seu redor descobrir suas verdadeiras intenções. O agressor psicológico é um ator digno de ganhar todos os prêmios. Surpreende o seu carisma e onde quer que chegue sempre é muito agradável para as pessoas. Mesmo quando tira a sua máscara e deixa exposto o seu verdadeiro rosto, as outras pessoas (principalmente a vítima) se negam a crer que estão diante de um agressor. Acontece que a frustração é tanta que é provável que algumas pessoas nunca consigam aceitar essa terrível e desconcertante verdade. Apesar de todos esses traços, o agressor psicológico costuma ter uma vida cheia de sofrimentos. O seu pior castigo é não poder realmente amar ninguém. Por isso existe solidão e vazio no seu dia a dia. Ele também é vítima de si mesmo.