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quinta-feira, 31 de agosto de 2017


COBRANÇAS SUFOCAM QUALQUER RELACIONAMENTO
(Thamilly Rozendo)

Muitos relacionamentos fracassam por causa da cobrança excessiva, por tentarmos encaixar o outro no que sempre idealizamos, querendo que o outro seja uma cópia exata dos nossos anseios. Assim, não conseguimos ver e respeitar o outro na forma como ele é, não conseguimos apreciar aquilo que o difere dos padrões que criamos. Uma pena, porque dessa forma nos impedimos de conhecer a magia do novo, impedimos a experiência de amar alguém que seja diferente de nós.
Você não irá encontrar alguém perfeito e, provavelmente, se desistir de seu relacionamento por causa das diferenças, é bem provável que ao se relacionar novamente, encontrará novos problemas. O segredo do relacionamento feliz é não exigir que o outro mude, mas aceitar as diferenças e aprender a lidar com elas.
Se as diferenças detectadas não forem graves ao ponto de travar a sua liberdade e a sua dignidade, não razões para lutar contra elas. Repito: todas as pessoas são de algum modo diferentes. Você não pode querer olhar para o outro como se mirasse num espelho.
Qual o problema se você gosta de cappuccino gelado e ele, quente? Se você gosta de ver um filme de romance e ele, de comédia policial? Qual o problema se ele não é daqueles caras que falam “eu te amo” todo dia? Ou que mandam flores para você no seu trabalho?
E se o modo de ele amá-la é passando a maior parte do tempo com você? E se for o contrário? E se a forma de demonstrar que a ama é pagar a entrada do cinema?
E se o jeito dele te agradar for pedir ao garçom um suco de laranja antes mesmo de lhe perguntar, porque sabe que é o seu preferido.
E daí que ele gosta de jogar vídeo game aos domingos, ou futebol com os amigos? E daí que ele às vezes é meio esquecido? E se a maneira dele amar é preparar um jantar a dois em casa mesmo, sair com você num sábado à noite qualquer para tomar um sorvete, perguntar aos amigos se pode levar a namorada ao churrasco da faculdade e fazer questão da sua companhia sempre? E daí?
Ele pode não postar fotos com legendas bonitinhas e não mandar aqueles textos enormes no Facebook para todo mundo ver. Talvez seja um pouco desligado e não comente todas as suas fotos.
Mas, às vezes, na maioria das vezes, a maneira de amá-la é dizendo o quanto você está linda quando acorda com o seu pijama velho e o cabelo desarrumado. Quando deixa aquele bilhetinho despretensioso com poucas palavras no seu livro favorito. Talvez a forma de amar você seja dando um beijo na sua testa na frente dos amigos, ou enquanto esperam o elevador.
Às vezes, sufocamos um relacionamento com tantas cobranças, deixamos de valorizar o modo como o outro nos ama por querermos que esse alguém nos ame exatamente como nós amamos. Esquecemos que o amor não é uma teoria singular, não há uma definição única. Amor é algo tão particular, que cada um ama do seu jeito e exterioriza o que sente de forma diferente. Não é algo a ser comparado e, quando agimos dessa forma, anulamos o amor que está nas entrelinhas, descartando aquilo que é nobre e sincero.
Quando a gente entende isso, o amor se torna mais leve, torna-se mais bonito, porque descobrimos que o novo é belo e não assustador como parece. E, então, às vezes, assim sem querer, melhoramos muita coisa em prol do outro, não porque ele nos pede incessantemente, mas porque queremos.

O amor é um aprendizado constante, uma escolha diária. O amor é simplicidade. Relacionamento baseado em cobranças acaba se desgastando e o amor perde a sua leveza. Precisamos saber reconhecer o novo valorizando a pessoa com quem nos relacionamos. Lidar com as diferenças exige maturidade e não é uma tarefa fácil. É o  modo como escolhemos nos relacionar que sustenta o amor, contorna as dificuldades, suporta as tempestades e nos dá a realização afetiva.

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